As Danças
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Escreveu o estudioso Poeta Folclorista do Passado - Dr. Pedro Homem de Melo
Estamos no Baixo Minho. Ora, sem consultar o mapa e até sem olhar para a paisagem ao redor, será fácil localizarmo-nos, pois se o povo que dança junto a nós, dança malhões (e só malhões!) é porque pertence ás Terras de Faria, digamos ao concelho de Barcelos. Efectivamente, o MaIhão tem, aqui, um valor de bandeira. Orienta. E tal como no Alto Minho a dança-mãe foi sempre o Vira, o qual se manifesta de várias maneiras, assim, na zona de Barcelos, o Malhão surge com múltiplos perfis.
Malhão - teclado coreográfico de quatro notas apenas - os quatro passos que o Barcelense genuíno enprega para se exprimir em bailados, diferentes uns dos outros quanto à floração, porém, parentes entre si, graças à raiz comum, de onde concluímos que, em folclore, a palavra «Dança» merece maiúscula desde que a escrevamos no singular.
Na Dança de Barcelos, o que nos impressiona é o vaivém dos braços. Um deles rema, violentamente, para trás, forçando o busto a mover-se. O outro sobe, quase à altura do rosto. Entre os braços e os passos dá-se a concordância. Se o pé direito se acentua, o braço direito acentua-se também. Semelhante desenho (esquema do Malhão!) está patente nas danças barcelenses mais representativas, hoje em dia, executadas pelo Grupo Folclórico de Barcelinhos, a saber; Malhão do Souto, Vareira, Chulita Redondita, Valentim, Sapatinho, Lima de Goios...Compasso binário. E, se a concertina, nos viras, marca três tempos, os calcanhares dos bailadores arranjam forma de (tanto quanto possível!) contar até dois. Daí acharmos (passe a audácia da sugestão!) que todas as danças de Barcelos lembram Malhões.
Até o Vira...
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